7 de jul de 2014

Fé sem obras é morta!

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“Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tiago 2:26)

Amados irmãos em Cristo. A Bíblia é bastante clara ao nos afirmar que a salvação do homem se dá inteira e exclusivamente através da graça de Deus e não por obras: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8-9). Portanto, obras não podem e nunca puderam e jamais poderão salvar alguém.

No entanto, a Bíblia também é rica em exortar-nos às boas obras: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mt 5.16); “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10); “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos” (Tt 3.14); ver ainda: 1Tm 6.18; Tt 2.7, 14; 3.8; Hb 10.24; 1Pe 2.12; etc. Além é claro do ensino explícito de Tiago sobre esse assunto em toda a sua carta. Existe contradição aqui? Claro que não, as obras não salvam o homem mas são parte imprescindível de uma conduta cristã. Praticamos boas obras porque somos salvos e não para sermos salvos. Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que há um lugar, e grande, na Bíblia reservado às obras.

O que causa-nos estranheza é que uma verdade tão clara e tão importante como essa tenha sido tão exageradamente ignorada ou desprezada pelos cristãos. A maioria da literatura moderna, palestras e até mesmo conversas informais sobre a situação atual da Igreja deixa claro isso. Não são poucos que dizem: “a Igreja precisa voltar às antigas sendas, no meu tempo não era assim, precisamos de um avivamento”. É fato que a Igreja precisa de avivamento, mas esse não é um problema novo. Recentemente li um livro desafiador do pastor Enéas Tognini (O cristão e as obras) e me chamou a atenção que o texto é de 1975, ou seja, de quase 40 anos e os problemas elencados por ele em relação às obras do cristão continuam os mesmos. Veja um trecho:

“[O ensino desfocado sobre as obras] gerou milhares de crentes sem qualquer compromisso, sem responsabilidade, sem vida; cristãos ociosos, cristãos que não trabalham, não lutam, nada fazem no Reino do Senhor. Tais cristãos só esperam receber bênçãos e nunca pensam em ‘ser bênçãos’. Na Palavra de Deus só encontram o que lhes favorece, e os apoia na inatividade. E crentes gerados num clima desses, colocam tudo ACIMA do Reino de Deus. Vão aos trabalhos da igreja quando acham que devem ir; entre o aniversário de um membro da família e os mais importantes e mais urgentes trabalhos do Reino, sacrificam a obra do Senhor. Dízimo dão se quiserem dar; se estão cansados não vão à Igreja; se não tiverem condução especial à porta de casa, não comparecem aos trabalhos do Senhor. Sempre os seus interesses em primeiro lugar, sempre a sua pessoa, sempre o seu ‘eu’. Julgam-se ‘sol’ e que tudo gravite em torno deles.

[...] Nada deve à Igreja. Não tem compromisso e nem responsabilidade na ‘vinha’ do Senhor. Não ora, não estuda a Bíblia, não tem bom testemunho no lar; nem no trabalho e nem na escola; não evangeliza, não dá o dízimo, não abre a bolsa para ofertas, vai a um trabalho da Igreja e a outros não; quando vai, chega atrasado, senta-se nos últimos bancos, conversa e perturba o trabalho, sai antes de terminar; não tem cargo na igreja e nem nas organizações e nem os quer aceitar. Qualquer exortação o fere e o sensibiliza e se retrai e se afasta do trabalho, que já não frequentava muito.”

Volto a dizer, o texto acima tem 40 anos e com tristeza na alma precisamos admitir que parece ter sido escrito ontem, tamanha a fidelidade com que expõe a situação da maioria dos cristãos. Que o Altíssimo nos dê graça para refletirmos com sinceridade sobre nossa condição espiritual e sobre o nosso serviço para com Ele e para com o próximo e mudarmos, urgentemente, nossa atitude enquanto servos dAquele que nos tirou das trevas e nos trouxe para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9). Que Deus vos abençoe...

Pastor Anderson

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: (TOGNINI, Enéas. O Cristão e as Obras. São Paulo: Edições Enéas Tognini, 1975, p. 8-9)

Por Anderson Andujar.

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