29 de jun de 2011

O pior tipo de desviado


Certa vez ouvi do Dr. Shedd a afirmação de que em nosso país existem aproximadamente trinta milhões de pessoas que um dia frequentaram nossas igrejas, e que por motivos diversos já não o fazem mais. De fato, é extremamente comum observarmos por todos os lugares deste país, ex-cristãos que distantes da comunhão com Deus, do relacionamento da igreja, e do convívio dos irmãos, mergulharam novamente no pecado.

Bom, antes de qualquer coisa, vale a pena ressaltar que ao escrever este texto não o faço com o desejo de discutir se os crentes em Jesus podem ou não cair da graça, isso fica para uma outra oportunidade. Na verdade, a minha proposta é tratar de forma específica daqueles que pelos motivos mais diversos abandonaram a fé.

Caro leitor, dentre aqueles que outrora frequentaram os nossos templos, encontramos individuos que voltaram a se drogar, a se prostituir, além é claro de cometer do tipo de pecado. No entanto, na minha perspectiva este não é pior tipo de desviado, mesmo porque, tais individuos, reconhecem que estão longe de Deus, chorando em virtude de suas transgressões, sentindo saudades dos momentos que estavam em comunhão com Pai.

Isto posto, ouso afirmar que o pior tipo de desviado não é pecador “descarado”, mais sim aquele que vestido pela roupagem da religiosidade comporta-se como fariseu, criticando tudo e todos, botando em xeque a igreja, tornando-se assim um desigrejado.

Ora, como já escrevi anteriormente bem sei que alguns verdadeiramente se afastaram porque não eram dos nossos, (I Jo 2:19) outros, porque se decepcionaram ou se feriram na igreja, entretanto, ouso afirmar que existe uma outra parcela dos denominados “desigrejados” que se afastaram por não desejarem se submeter a qualquer tipo de governo. Para estes a livre interpretação da Bíblia, prevalece sobre o livre exame, a espontaneidade sobre a organização, as reuniões caseiras sobre as reuniões no templo.

Tais individuos repudiam qualquer tipo de liderança eclesiástica, abominam rótulos e titulos, fazendo o que bem entendem da vida interpretando a graça de Deus de acordo com suas conveniências e interesses demonstrando que estão desviados da fé.

Lamentavelmente é nessa perspectiva, que tem surgido neste país, os caminhos da graça barata, da liberdade sem responsabilidade e de tantos outros mais, cuja mensagem principal é de uma evangelho light onde objetivo final é a satisfação do freguês.

Para piorar a situação boa parte dos “desigrejados”, não desejam nenhum tipo de compromisso cristão. Em geral, essa atitude é gerada por pessoas que cometeram seus deslizes e depois se recusaram a submeter-se ao devido tratamento, pregando um novo “evangelho” onde a graça de Deus foi transformada em álibe para uma vida desprovida de compromisso e santidade. Caro leitor, entendo perfeitamente que muitos dos cristãos se feriram em virtude dos mandos e desmandos dos coronéis da fé, que com extrema arbitrariedade impuseram sobre o povo de Deus doutrinas absolutamente anti-bíblicas. Entretanto, isso em hipótese alguma justifica o crente em abandonar a “communion Sanctos”.

Prezado amigo, a Igreja foi criada por Cristo. Ela é composta de gente falha, pecadora e cheia de limitações, todavia, continua sendo de Cristo.

Diante do exposto, afirmo sem titubeios que continuo crendo na Igreja do Deus vivo como a única coluna e baluarte da verdade.

Faço minhas as palavras do Credo Apostólico: “Eu creio na igreja, pura, santa e verdadeira”.

Soli Deo Gloria

Por Renato Vargens, via Púlpito Cristão