7 de dez de 2011

As igrejas devem convidar as pessoas a virem à frente?

Apresentação11

Em julho deste ano postei um texto da Christianity Today International que abordava o tema respondendo aos apelos no final do sermão. O texto discorre sobre a história dessa prática conhecida como “sistema de apelo”; mostra seu início por volta de 1805 e seu crescimento de lá para cá. O renomado ministro presbiteriano Charles G. Finney (1792-1875) é considerado por muitos como o “pai do apelo”. Ele foi um dos principais difusores dessa prática que ganhou força e têm lugar de destaque em muitos púlpitos de nossos dias. Existe grande desconfiança em relação a base teológica que sustente essa prática por parte de muitos líderes, mas a despeito dessa desconfiança, como eu já disse, a prática continua com força. Essa semana o Blog Fiel, ligado à editora Fiel abordou mais uma vez o assunto e eu gostaria de compartilhar aqui com vocês o brilhante texto. Leia, tire suas conclusões e deixe sua opinião. Ela é muito importante…!

Pergunta: As igrejas devem convidar as pessoas a virem à frente?


Pergunta: “Venho de um contexto avivalista e estou cansado de convites para que pessoas venham à frente e de convites manipuladores. No entanto, meu desejo não é deixar as igrejas mergulhadas nesta tradição, e sim continuar ministrando com uma teologia de conversão mais forte.

Como aluno de seminário, tenho oportunidades de pregar em igrejas onde é costume fazer um convite no final da mensagem. Sinto-me frequentemente inseguro e intranquilo em relação à maneira de terminar uma mensagem, não querendo cometer os erros comuns ao avivalismo, sem, ao mesmo tempo, ofender desnecessariamente.

Vocês poderiam me oferecer alguns princípios para reter uma forte teologia de conversão, quando termino cultos de igrejas acostumadas com convites públicos?”

Jonathan Leeman, diretor editorial do ministério 9 Marcas e candidato a PhD em Eclesiologia, responde a esta pergunta.


Resposta:

Antes de eu chegar, os pastores anteriores sempre fizeram convites para pessoas virem à frente. Estava em meu primeiro mês de um pastorado interino, e as pessoas começaram a me perguntar se eu faria convites ou não. Recordo uma conversa que tive com um irmão querido – um bom amigo até hoje – durante uma longa carona. A conversa foi dedicada a este assunto.

Eu disse a este irmão e aos demais presbíteros que eu não faria convites para pessoas virem à frente. Por que não?

Por que eu penso que isso é errado? Não, acho que um pastor é livre para fazer um desses convites. Não é pecado.

Por que não creio que as pessoas têm de fazer uma decisão por Cristo? Não, acho que as pessoas têm de decidir arrepender-se e crer para serem salvas.

Por que eu não acho que Jesus nos chama a fazer uma confissão pública? Não, as pessoas têm de confessar publicamente a sua fé. Foi por isso que Jesus instituiu o batismo.

Por que eu acho que convidar pecadores ao arrependimento é inerentemente manipulador? Não, creio que os pregadores devem convidar, por meio dos seus sermões, os não cristãos a se arrependerem e crerem. E fiz isso durante o pastorado interino e o fiz no último domingo, quando preguei como pastor convidado em outro igreja. No meio do sermão, convidei com bastante clareza os não cristãos a se arrependerem e crerem; e lhes disse que falassem comigo depois do culto, ou com o pastor, ou com outro amigo cristão que os trouxera à igreja.

Então, por que não convido pessoas a virem à frente? Em resumo, eu creio que esta prática criada pelo homem, esta inovação procedente do século XIX tem causado mais mal do que bem às igrejas cristãs no Ocidente. O convite para vir à frente confia nos poderes das emoções, na persuasão retórica e na pressão social para induzir as pessoas a uma decisão apressada e prematura. E produzir profissões não é o mesmo que fazer discípulos. Certamente, diversos fatores são responsáveis pela existência de muitos cristãos nominais que caracterizam o cristianismo no Ocidente, mas eu creio que o convite para vir à frente é um desses fatores.

Quantas pessoas, no último século, vieram à frente e passaram o resto de sua vida convencidas de que eram cristãs, sem jamais se importarem com sua maneira de viver!

A alternativa para o convite de vir à frente é perseverarmos nas práticas que vemos exemplificadas nas Escrituras:

  • Durante o sermão, convide as pessoas a se arrependerem e serem batizadas, como Pedro o fez em Jerusalém (At 2.38). Mas, quando você fizer isso, não fique em pé no púlpito, esperando com música carregada de emoção, fitando as pessoas até que elas cedam. Pelo contrário, faça várias sugestões a respeito de como e onde conversar mais sobre o assunto.
  • Pergunte às pessoas o que elas creem quando se apresentam para pedir o batismo, como Jesus se assegurou de que os discípulos soubessem quem ele era (Mt 16.13-17; também 1 Jo 4.1-3).
  • Tenha certeza de que as pessoas entendem o que está envolvido em seguir a Jesus (Mt 16.24, 25; Jo 6.53-60).
  • Explique-lhes que os frutos produzidos em sua vida e a perseverança até ao fim indicarão se elas creem verdadeiramente ou não (Mt 7.24, 25; 10.22).
  • Você pode até explicar que Jesus mandou a igreja remover de sua comunhão pessoas cuja vida não se harmoniza com o que elas professam crer (Mt 18.15-17).

Sim, oremos muito por conversões. Mas, depois, façamos tudo que a Escritura exige de nós na obra de fazer discípulos – uma obra que, geralmente, exige muito ensino, muito tempo, muitos convites, muitas refeições juntos e, por fim, o compromisso de todo o corpo da igreja.

Jonathan Leeman é o diretor editorial do ministério 9 Marcas. Ele é o autor de The Church and the Surprising Offense of God’s Love e Reverberation: How God’s Word Give Light, Affection, Freedom and Action to His Church.

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