29 de set de 2011

Carta aberta de um liberal aos seus companheiros espirituais


Rio de Janeiro, 2060, ano em que o “Deus-pai-mãe” consolidou seu multiplo conhecimento na sociedade brasileira.

 Amados amigos,

Estou feliz por perceber que muitos cristãos finalmente entenderam que a Bíblia foi escrita em linguagem figurada. A minha alegria é imensa em concluir que parte daqueles que antes defendiam as doutrinas dos ultrapassados reformadores já não o fazem mais. Finalmente entenderam que não existem valores absolutos e que tudo é relativo.

Nosso povo evangélico agora relaciona-se com Deus em todas as suas formas. Buda, Alá e Cristo podem ser cultuados sem preconceitos em qualquer lugar e templo. Graças a este sublime poder do Universo, descobrimos que o tal sacrificio vicário de Cristo não existiu e que a bíblia não é palavra infalível de Deus.

Estou feliz porque entendemos que Deus é menino e menina, e que podemos chamá-lo de Pai e mãe. Como é bom saber que o inferno não existe, que o diabo nunca existiu e que Deus é tão bom que não há de julgar os homens consoante os seus pecados. Aliás, pecado? O que é pecado? pecado não existe, tudo depende de seu ponto de vista.

Deus não julga os homens. Na verdade, Deus é bem diferente daquilo que aqueles ortodoxos cristãos do inicio do milênio acreditavam. Deus é amor, ele não é soberano, ele não sabe o que vai acontecer amanhã. Por acaso vocês se lembram da tempestade tropical que destruiu parte do Rio de Janeiro em 2030? Pois é, ele não sabia que aquilo iria ocorrer. O nosso pai-mãe, entristeceu-se pois foi pego de surpresa pela natureza.

Queridos companheiros em nome do amor vivamos a vida alegremente desfrutando de todo prazer que ela pode nos dar.

Prof. Frederico

Renato Vargens escreveu esta crônica fictícia com a esperança de que ela jamais se torne realidade.